Vinícius Júnior contra o espaço escocês

A Escócia que o Brasil vai enfrentar em Miami não é exatamente a mesma que perdeu para Marrocos por 1 a 0. Naquele jogo, os escoceses já tinham a classificação encaminhada e entraram em campo com menos urgência do que o placar final sugere. O contexto importa para a leitura do adversário.

O modelo de Steve Clarke é um 4-4-2 compacto, construído menos sobre a técnica do que sobre a disciplina coletiva. McTominay e Ferguson controlam o ritmo pela intensidade, protegem a defesa e fecham os espaços centrais. A criação passa por Andy Robertson, capitão com mais de 90 jogos pela seleção, que sobe com regularidade pela esquerda para cruzar na área. É uma equipe organizada, perigosa em bola parada e pouco generosa nos espaços que oferece.

O problema está na dependência das subidas de Robertson. Toda vez que o lateral avança, deixa um corredor nas costas. Contra o Marrocos, Hakimi explorou esse vazio com consistência ao longo de todo o jogo. O Brasil tem Vinícius Júnior posicionado exatamente para fazer o mesmo.

A vaga na liderança do grupo está disponível. Marrocos pode pressionar pelo saldo de gols, mas a Escócia, eliminada ou não, vai a campo em Miami com a chance histórica de ser a primeira equipe do país a passar da fase de grupos em um Mundial. Esse tipo de motivação produz jogos mais duros do que o placar final costuma registrar.