Paisagens internas

Se pudéssemos abrir as pessoas, encontraríamos paisagens. Se me abrissem, encontrariam praias. A memória é como areia na minha mão: uma parte fica, outra escapa aos poucos. As praias são o meu fio condutor, e é verdade que, a vida inteira, estive ligada a elas.

Quando penso no meu lugar ideal, sei que é este: a praia. Não por nadar, surfar ou velejar, mas pelo simples prazer de observar o encontro entre o céu e o mar. Cada visita é uma surpresa. Basta mudar o horário, e tudo muda também: a luz, o vento, as cores. Pode estar branca, pode estar lisa. E eu amo quando está quase lisa, tão pura que parece o início do mundo.

As Praias de Agnès (Les plages d’Agnès, 2008). Nesse documentário, a cineasta Agnès Varda explora suas memórias.